Facebook Instagram

Vai a Paris? Mostramos passo a passo o que deve mesmo fazer (e o que pode abdicar)

Veja estas dicas para aproveitar ao máximo o seu passeio por Paris

Mafalda Agante
29 fev, 12:04

A eterna cidade luz, dos românticos, dos apaixonados por arte e moda, e claro, dos deliciosos doces que encantam os mais gulosos. Fiz um roteiro na capital francesa, andei muitos quilómetros a pé, é a forma de deslocação que recomendo para ficarem a conhecer os principais locais e monumentos, aproveitando para se deliciarem com algumas das iguarias mais famosas do mundo.

Mas vamos ao início, do aeroporto desloquei-me de carro, que pedi através de uma app, ficava mais acessível e cómodo sendo partilhado, do que a ligação de comboio do aeroporto até ao centro de Paris. Fiquei num hotel numa zona calma, mesmo ao lado da Universidade Sorbonne. Ao longo dos dias percebi que foi uma ótima escolha. Existia pouco ruído e muito importante: senti que era uma zona bastante segura.

Fiz o check-in no hotel e fui à majestosa Catedral de Notre-Dame, que apresenta uma arquitetura gótica impressionante. A caminho passei pela La Maison d'Isabelle, uma padaria e pastelaria que venceu, em 2018, o prémio “melhor croissant de Paris”. Sem dúvida que tem uma relação qualidade-preço fantástica, mas não foi o melhor que provei, teve uma classificação de 4-estrelas. E foi aqui que começou um vício, andei a devorar chouquette ao longo da minha estadia, perdi a conta dos locais onde provei esta especialidade francesa, uns bolinhos feitos com massa choux e açúcar, a simplicidade. E neste local eram deliciosos. Continuei o percurso, encontrei uma pastelaria, A. Lacroix Pâtissier, que apresentava uns macarons com muito bom ar, não resisti e provei dois, de caramelo salgado e outro com recheio de massapão. Sentei-me ao balcão com vista para a catedral, que está em reconstrução. Saí e caminhei até à parte da frente de Notre-Dame, realmente majestosa, por ali fiquei durante um tempo a contemplar o ambiente. Ouvia-se um acordeonista a tocar uma famosa música de Yann Tiersen, do filme Amélie, a banda sonora de uma noite ao lado do rio Sena.

Logo no primeiro dia fui jantar com uma amiga que vive em Paris e levou-me a conhecer o mítico restaurante Lapérouse, fundado em 1766. Neste restaurante realizam-se campanhas e catálogos das maiores casas de alta-costura. Degustei um Baba au Rhun de comer e chorar por mais! Na realidade todos os pratos estavam deliciosos! Desde a entrada, um carpaccio de robalo que se desfazia na boca, passando pelo prato principal, uma dourada grelhada no ponto, até às sobremesas, além do Baba, um bolo de baunilha merengado servido com folhas de ouro. Após o jantar descemos para a zona do bar e fiquei a conhecer algumas das histórias sobre este local.

No dia seguinte acordei cedo, fui descobrir o elegante bairro parisiense Le Marais. Entre pastelarias e padarias artesanais, as opções são imensas. Saí do hotel com o objetivo de devorar alguns doces da boulangerie Utopie, as expetativas com os éclairs estavam lá em cima! Pois que gulosa que é gulosa pede vários doces para experimentar: o croissant, o pain au chocolat, chouquette, dois éclairs (um de chocolate e outro de sésamo). Com estes dois fiquei um bocadinho desiludida, uma vez que adoro os éclairs que faço e já publiquei as receitas de alguns, se quiserem experimentar. A massa choux e os recheios e coberturas, esperava mais. Como fiquei a babar com um bolo de pistácio que estava na vitrine, lá fiz o “sacrifício” e provei esse também. O croissant e os chouquette eram muito bons. O bolo de pistácio, não sendo mau, também não era incrível, não vale o valor que custou. Para algo memorável, spoiler: aconteceu no último dia em Paris.

Após a degustação, analisando os valores que se pagam pela pastelaria francesa, a pastelaria portuguesa é bastante mais acessível, mas (em alguns locais) percebe-se bem que as matérias-primas são premium, não usam gorduras hidrogenadas, por exemplo. A maioria dos folhados são todos feitos com manteiga. E se eu sou fã de manteiga, seja em doces ou salgados, qual Julia Child. Saí desta boulangerie em modo “pacote de açúcar com pernas”, mas segui para o almoço no Kodawari Ramen (Tsukiji), a decoração é incrível, o local relembra o antigo mercado de peixe de Tóquio. Se gostam de ramen, este é o local. Degustei o melhor ramen vegan que provei e nem estava com apetite! Um local para voltar!

Daqui continuei a caminhada a pé, passei pelo Louvre, Jardins das Tulherias, pela Place le la Concorde, continuei pela famosa avenida Champs-Élysées até ao Arco do Triunfo. A cada esquina há algum monumento para fotografar e Paris é gigante! Neste dia perdi a conta dos quilómetros que percorri a pé! Ao jantar foi a verdadeira desilusão, queria experimentar uma bento box no Hachi Bento, estava no meu roteiro, foi horrível, desde o salmão seco ao arroz, foi um dos locais em que a elevada classificação não correspondeu à qualidade péssima dos ingredientes e mau serviço.

No dia seguinte decidi ir cedo para o Louvre, não sem antes conhecer algumas pastelarias. Parei na Nèulo para provar as gaufres. Só o aroma no ar é de ficar a salivar! Pedi a de chocolate e avelã, que foi recomendada pela colaboradora que atendeu. A gaufre é simplesmente deliciosa; pedi um chocolate quente para acompanhar, que, diga-se, coloca o chocolate quente da famosa cadeia de pastelarias Angelina a um canto, nem é comparável (o da Angelina é um creme achocolatado com bastante açúcar, tão mau, que não consegui terminar).

Passei na montra da loja Le Lautrec Chocolatier e não resisti a provar vários macarons: caramelo e flor de sal; pistácio e flor de laranjeira; e outro de pistácio. Não me convenceram, mas o mais interessante foi o segundo. A caminho do Louvre, noutro café, pedi um chouquette, de todos foi o pior que provei em Paris, nem anotei o nome do local. Também fui a um italiano que não achei relevante partilhar.

 

Para os amantes de arte, o Louvre é um verdadeiro paraíso, paragem obrigatória. Lar de milhares de obras, incluindo a icónica Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, este museu é um mundo! Uma viagem histórica, um universo de maravilhas artísticas, desde antiguidades egípcias até à arte contemporânea.

Saí do Louvre, andei a pé até uma zona com dezenas de restaurantes asiáticos, escolhi uma tasca japonesa, Naniwa-Ya Izakaya, o almoço foi bom e acessível. Daqui fui a uma pastelaria japonesa, do outro lado da rua, Aki Boulangerie, não gostei do mochi de matcha, nem dos beignets (que parecem bolas de Berlim) recheados com mochi.

Ainda fui a outra pastelaria provar um chouquette e um canelé, um famoso bolo francês com uma consistência meio enqueijada, é aromatizado com baunilha e rum, é caramelizado no exterior.

Seguiu-se a maravilhosa Torre Eiffel, fui de metro e aqui recomendo cuidado, existem muitos assaltos. Quando cheguei à torre já tinha anoitecido, fica ainda mais bonita, em determinadas horas a iluminação tem um efeito de brilhantes a piscar. Ainda demorei nesta zona, subi ao Trocadéro, é aqui que se tiram as melhores fotos com vista para a torre. Também fui a outra zona ao lado da Pont d'Iéna para tirar fotos e fazer vídeos com os barcos a passar no Sena e apreciar a grandeza deste monumento.

Altura para jantar, fui de autocarro até uma paragem próxima do famoso restaurante Bouillon Chartie, na zona de Montparnasse. Muito barato, mas não esperem milagres. É um clássico, a decoração é pitoresca, mas a qualidade da refeição é péssima, aparentemente os franceses adoram. Fazem-se filas à porta do restaurante e falamos de um espaço interior gigante. De sobremesas pedi o Crème au caramel e o Moelleux au chocolat, este último, tipo um fondant de chocolate, era melhorzinho. O caminho fez-se a pé até ao hotel.

No dia seguinte descobri a padaria Mamiche. A magia da massa folhada num croissant, uma textura crocante por fora e macia por dentro. E o sabor de uma manteiga de qualidade. A crocância inconfundível da superfície dourada, o tempo certo no forno. Podia comer este croissant todos os dias! Sem dúvida o melhor que provei! E o pain au chocolat, também levou a medalha de ouro, feito com chocolate Valrhona. Não resisti e também pedi meia baguete. Sou fã de um bom pão, tanto quanto de bolos. E a exigência é igual. O melhor pão sem dúvida é de fermentação lenta e com farinhas de qualidade, de preferência biológicas. Procurem padarias e pastelarias artesanais que os parisienses frequentem. Fujam dos espaços super conhecidos, com franchisings. Além de pagarem muito mais nesses locais, a qualidade é pior.

E seguiu-se a maior desilusão, na Maison Maé. Acho péssimo venderem algo como sendo de pistácio e é feito com corante verde e essência de amêndoa amarga, ainda para mais odeio essência. Adoro amêndoa, natural, como deve ser. Jamais usaria este tipo de essência! E nunca num croissant de pistácio. Para mais, foi o croissant mais caro de toda a viagem. Serve o mesmo para o éclair, supostamente seria de pistácio, só que não! Não reclamei, mas confesso que tive vontade, foi um desperdício de tempo e dinheiro. Evitei tourist trap, franchisings e caí nesta da classificação online.

Daqui fui ao mercado Marché des Enfants Rouges, onde encontram bancas de fruta, de queijos, peixe e carne. Almocei no japonês Chez Taeko, e aqui sim, as bento box eram ótimas, entre outros pratos, destaco a tempura de vegetais.

Não podem esquecer de visitar as charmosas ruas de Montmartre, onde artistas de rua e cafés pitorescos criam uma atmosfera única e cativante. Fui até à imponente Basílica do Sagrado Coração, localizada no alto de Montmartre, apresenta uma vista magnífica de Paris. Podem utilizar o funicular de Montmartre para lá chegar, não façam como eu que subi a pé (risos).

Durante a tarde seguiu-se uma surpresa de ficar a babar. Tinha planeado visitar a pastelaria Le Jardin Sucré e só tive pena de o ter feito no último dia na cidade. É que fiquei maravilhada com o que degustei! Sem dúvida que encontrei os melhores macarons que provei. E o melhor bolo! Duas classificações máximas, principalmente para o macaron de Yuzu, que saudades tenho destes sabores! Provei também os de baunilha de Madagáscar, pistácio da Sicília e de caramelo salgado. Apesar de ter gostado de todos, o de Yuzu foi uma explosão cítrica, crocância no exterior e cremosidade interior. A frescura e doçura de um macaron no ponto, se a perfeição existir num macaron, está aqui. Da pesquisa que realizei antes da viagem, havia um bolo desta pastelaria que tinha mesmo de provar: tarte de pistácio e flor de laranjeira. Parti a tarte ao meio e no interior encontro uma ganache de pistácio sobre a massa quebrada, uma aveludada mousse de flor de laranjeira, e ao centro, uma pasta de praliné de pistácio. O contraste de texturas e sabores desta tarte é memorável! E dos que se apresentam na vitrine, que mais parece de uma joalharia, foi o que mais me cativou. Só trocava a farinha de amêndoa da massa, para não se sobrepor aos restantes sabores. Quando estava a pagar, fiquei a olhar para a madalena de pistácio, não resisti e pedi esse bolo também. Uma massa fofa aromatizada com flor de laranjeira, recheada com praliné de pistácio e coberta com pistácios, já percebi que este casamento de sabores funciona por aqui. Ficaria ali horas a degustar quase todos: um-dó-li-tá! Este local foi a “cereja no topo do bolo” desta viagem, no que toca a doces. Sem dúvida que vale a pena voltar a Paris só para provar as outras criações que apresentam.

Ficou a faltar uma visita ao Museu de Orsay, ao Palais de Tokyo e apreciar a vista da Torre Montparnasse. Fica para a próxima.

Algumas dicas:

- Fujam de padarias/pastelarias "tourist trap", franchisings. Qualidade zero e preços absurdamente caros;

- Procurem padarias e pastelarias artesanais frequentadas por parisienses. Se existirem filas à porta das pequenas padarias e pastelarias e ouvirem conversas apenas em francês, provavelmente estão no sítio certo;

- Estão a ver aqueles vídeos bonitinhos de croissants e pain au chocolat com cores berrantes? No caso de verde vivo, são corantes e não pistácio verdadeiro. Isto serve para não apanharem desilusões, se gostarem tanto de pistácio como eu;

- Se gostarem de centros comerciais, não se esqueçam de conhecer as Galerias Lafayette Haussmann, a zona é fantástica, incluindo o percurso a pé até ao Louvre;

- Há tanta variedade e locais incríveis para visitar que recomendo que levem o roteiro todo planeado. Incluindo as opções de deslocação entre os locais. Espero que este artigo sirva para ajudar.

RELACIONADOS
Mais Lidas