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“A rainha era muito faladora. E engraçada”. Andrew Festing pintou-a no Palácio de Buckhingham

O pintor inglês fez retratos de vários membros da família real e pelo menos três da rainha. Para isso ia ao palácio para a desenhar.

Lina Santos
18 set, 18:00
18 set, 18:00
Retrato da família de Isabel II
Retrato da família de Isabel II

Se há artista que esteve com a rainha foi o britânico Andrew Festing, que pintou a Isabel II várias vezes aos longos dos seus 96 anos de vida. Uma das obras é um retrato de família em que a monarca sobressai de amarelo. Outros dois quadros são encomendas que o obrigaram a combinar encontros com a monarca para fazer esboços. Ao todo, esteve com a soberana uma dúzia de vezes. “Seis ou sete vezes de uma vez e seis ou sete da outra”.

“Um certo nervosismo era inevitável nessa altura”, admite o pintor Andrew Festing, 80 anos, sobre o momento em que encontrava Isabel II.

“A rainha era muito faladora. E engraçada”, diz. As conversas decorriam enquanto o artista fazia desenhos preparatórios da soberana, e duravam cerca de 90 minutos. “Pedia-lhe uma expressão normal, nem demasiado séria, nem a rir. Sem demasiado sorriso”, conta o pintor, que foi presidente da Royal Society of Portrait Painters no início do século XXI.

“Ela estava muito bem informada sobre todas as pessoas”, diz Andrew Festing sobre estes encontros com a rainha que aconteciam no Palácio de Buckingham.

Andrew Festing recorda como a rainha ficava sentada junto à janela e comentava o movimento no The Mall, a avenida que se estende pela cidade de Londres a partir dos portões do Palácio de  Buckingham. “Sentava-se à janela e comentava o que se passava na rua”.

Embora tenha pintado vários membros da família real ao longo da carreira, a primeira encomenda para pintar a rainha só aconteceu em 1991 quando a retratou, de pé, e com um manto branco a pedido da Real Academia Militar de Sandhurst, uma instituição à qual o pintor estava ligado pessoalmente.

Festing, filho de um militar, foi aluno na academia militar e pertenceu ao exército até 1969, antes de se tornar especialista em retratos da Sotheby's. Só aos 40 anos se passou a dedicar à pintura a tempo inteiro. E foi depois disso que começou a fazer retratos de membros da nobreza britânica. 

A segunda vez que Andrew Festing pintou a rainha a solo num retrato foi em 1998. Também foi uma encomenda. Desta vez, do Hospital de Chelsea, uma das instituições que a rainha amadrinhou ao longo da vida. É uma tela de grande dimensões que agora faz parte do acervo do museu e que pode ser vista pelo público. Mais uma vez, Andrew Festing escolheu retratar a monarca de pé, com um manto branco.

O Hospital de Chelsea é, por tradição, onde são tratatos membros do exército e militares na reforma. E estão retratados no quadro, em segundo plano. Mas não foram desenhados por Andrew Festing ao mesmo tempo. Ambos pousaram depois para o pintor no seu estúdio de Londres.

 

A terceira obra de Andrew Festing com a rainha pertence à coleção real e não está patente ao público habitualmente. Isabel II aparece em lugar de destaque, mas sentada, rodeada de vários elementos da família, entre eles o príncipe Carlos, a princesa Anne e a rainha-mãe. Tanto a filha da rainha como a sua mãe foram retratadas Andrew Festing em diferentes ocasiões. 

A notícia da morte da rainha chegou-lhe sem surpresa. "Não foi propriamente um choque, ela tinha 96 anos. Eu tenho 80, também vou morrer em breve". Pintar a rainha deu-lhe notoriedade. "Pelo menos durante algum tempo". Mas que desconheça qual era a opinião de Isabel II sobre os seus trabalhos. “Ela nunca fez comentários”.

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