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Forma como os pais educam hoje está a levar a aumento da ansiedade e depressão em crianças e jovens

Especialistas apontam uma das principais razões que levaram ao aumento dos problemas de saúde mental entre os mais jovens. E os adultos são os responsáveis

IOL
23 nov 2023, 15:02
Crianças a brincar na neve Foto: Ethan Hu, Unsplash
Crianças a brincar na neve Foto: Ethan Hu, Unsplash

As estatísticas demonstram que a ansiedade, depressão e suicídio aumentaram exponencialmente entre as crianças e jovens dos países ocidentais. Nos Estados Unidos, a crise de saúde mental entre os mais novos é tão grave que a Academia Americana de Pediatria e outras entidades da área da saúde pediram ao Governo que declarasse estado de emergência nacional para a saúde mental das crianças, como escreve a BBC.

Mas, afinal, o que está a conduzir os mais novos a esta crise de saúde mental nos países mais desenvolvidos? O psicólogo norte-americano Peter Gray, professor investigador de psicologia e neurociência da Boston College, explica que a atual “epidemia de psicopatologia” em crianças e adolescentes está relacionada com um fenómeno dos últimos 50 anos: a redução gradual do nível de autonomia dos mais novos.

“Uma das principais causas do aumento dos transtornos mentais é a diminuição das oportunidades que as crianças e adolescentes têm de brincarem e realizarem outras atividades autónomas sem supervisão e controlo direto dos adultos”, explicou num artigo publicado numa revista científica de pediatria.

De acordo com este especialista e a sua equipa, as atividades autónomas promovem o bem-estar mental como fonte de satisfação imediata para a criança. Além disso, também ajudam a desenvolver competências como a resiliência e "as características mentais que estabelecem a base para gerir com eficácia o stress da vida", cita a BBC.

Os especialistas sublinham que não estão a sugerir que esta seja a única causa da deterioração do bem-estar mental dos jovens, mas garantem que é uma das principais.

De acordo com o estudo que publicou, o investigador destaca que esta mudança começou nos anos 60. As crianças, antes consideradas competentes, responsáveis e resilientes, passaram a receber cada vez mais supervisão e proteção.

“Ganharam mais autonomia em alguns aspetos, como escolher o que querem vestir ou comer, mas perderam a liberdade de participar em atividades que envolvem um certo grau de risco e responsabilidade pessoal, longe dos adultos”, explica.

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