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Bebe café? Saiba quando acontece o pico de cafeína no sangue (e outros efeitos)

O café tem propriedades psicoativas. Mas, afinal, o que faz de facto ao nosso corpo? Devemos parar de beber?

Café
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O café é das bebidas mais populares em todo o mundo e os portugueses orgulham-se do hábito (mesmo dependência) de beber a sua “bica” diariamente. Empiricamente, todos acreditamos que o café nos deixa mais despertos e com mais energia. Mas, o que faz de facto o café ao nosso corpo?

O jornal The Guardian foi à procura de respostas. De acordo com a publicação britânica, os efeitos da cafeína podem mesmo começar até antes do primeiro gole. Só a inalação do aroma do café já tem um potencial de melhorar a memória e o estado de alerta, concluiu um estudo de 2019 citado pelo artigo.

Outros estudos mencionados revelam que o café, em testes realizados à cega para descartar o efeito placebo, comprovam que existe uma melhoria de desempenho nas pessoas que ingeriram cafeína.

Há estudos que indicam que os efeitos de uma chávena de café podem ocorrer apenas 10 minutos depois da sua ingestão, mas o investigador em nutrição Mike T. Nelson, ouvido pelo The Guardian, refere que o pico de concentração da cafeína no sangue ocorre após 45 minutos.

A cafeína atua, de facto, como um estimulante do sistema nervoso central, deixando-o mais alerta e concentrado, mas potencialmente também mais irritado e ansioso. Este processo está relacionado com os recetores de adenosina do seu corpo, que ajudam a regular a frequência cardíaca, o fluxo sanguíneo e os ciclos de sono-vigília, pode ler-se no mesmo artigo.

Quando a adenosina – um composto orgânico que ocorre naturalmente no corpo – se liga a esses recetores, desencadeia respostas fisiológicas que conduzem a uma diminuição da atividade celular, muitas vezes promovendo sonolência. Ora, a cafeína vem “enganar” as células nervosas e ligar-se a elas, impedindo que a adenosina faça o seu efeito. Isto promove um estado de alerta mais elevado, ao mesmo tempo que permite que os neurotransmissores estimulantes do cérebro (como a dopamina) funcionem livremente.

O artigo do The Guardian explica que este processo fisiológico tem o potencial de melhorar o humor de muitas pessoas, mas também pode causar ansiedade a outras. O nosso corpo tem a capacidade de se adaptar ao consumo de cafeína, mas a resposta pode ser muito diferente de pessoa para pessoa.

Os efeitos da cafeína têm uma “validade” de cerca de seis horas, o que significa que se tomarmos o nosso último café expresso do dia às 16h, metade da cafeína ainda estará no nosso organismo às 22h, momento em que devemos começar a relaxar e a reduzir o estado de alerta.

Nick Littlehales, terapeuta de sono com vasta experiência no acompanhamento de atletas de alta competição, sublinha ao The Guardian que o consumo de café deve ser “agradável e equilibrado”. “Vejo muita gente que toma três cafés consecutivos durante a manhã. Ingerem 1.000 a 1.500 mg antes da hora do almoço. Esta não é uma forma sensata de fazer as coisas”, alerta, recomendado que se reserve a ingestão de café para quando se sente os níveis de energia mais baixos ou para apoiar em momentos importantes.

No que diz respeito ao café, há muitos estudos e para todos os gostos. Muitos apontam benefícios, mas alguns alertam para os riscos. O The Guardian recorda que existem investigações que apontam mais benefícios do que malefícios na ingestão de três a quatro chávenas de café por dia.

Uma investigação concluiu que o café está associado a uma diminuição do risco de diversas formas de cancro, assim como doenças cardiovasculares, doença de Parkinson e diabetes tipo 2.

A longo prazo, há algumas evidências de que o café tem efeitos na melhoria do humor, pode diminuir o risco de depressão, pode ajudar a ‘queimar’ gordura em conjunto com exercício físico.

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